Desgaste ósseo na terceira idade pode ser evitado com dieta fortalecida

Doença costuma ocorrer após os 50 anos.

Um problema comum a uma série de hábitos cultivados ao longo da vida é a osteoporose, doença que, embora muito comum entre os mais velhos, pode surgir ainda na juventude. O problema é que por ser assintomática, só é realmente perceptível quando já atinge níveis preocupantes, o que costuma ocorrer, justamente, após os 50 anos. Segundo dados do Ministério da Saúde, atualmente 10 milhões de brasileiros sofrem com a enfermidade. De acordo uma pesquisa realizada pelo órgão juntamente com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2011, os brasileiros consumem pouco cálcio e muito sódio, em todas as faixas etárias, o que pode estar relacionado com a patologia.

Felizmente, o desgaste ósseo pode ser prevenido e, até mesmo, tratado com medidas simples, segundo especialistas. Dentre os inúmeros fatores que podem mudar este quadro, a alimentação é a chave para enfrentar o problema. Existem outros nutrientes tão relevantes para a saúde dos ossos quanto o mineral, capazes, inclusive, de auxiliar na absorção do nutriente no organismo. Por isso, apostar num cardápio estratégico é fundamental para garantir ossos mais fortes, sobretudo na terceira idade.

De acordo com a nutricionista da Nova Nutrii, Gabriela Domingues, é indiscutível a importância de cálcio para a saúde dos ossos, afinal, quase todo cálcio do nosso corpo está concentrado nessas estruturas.

“O problema é que quando existe uma deficiência do mineral, os ossos ficam enfraquecidos e mais suscetíveis a cãibras, dores e, até mesmo lesões. Essa situação é agravada ainda mais pelo consumo excessivo de sódio, pois este mineral “rouba” o cálcio do organismo, ou seja, impede sua absorção eficaz”, informou.

Para a profissional, especializada em nutrição clínica, essa é a uma das razões pelas quais a osteoporose é tão comum na terceira idade.

“É nesse momento que o corpo vai sofrer pelas escolhas pouco qualificadas feitas ao longo de anos. Justamente por isso que muitos só se conscientizam da importância do cálcio nas suas refeições quando o problema já está estabelecido. Ainda assim, muitos continuam errando, pois, apesar de se preocuparem com a ingestão do mineral, se esquecem de outros nutrientes fundamentais para ‘fixar’ o cálcio nos ossos”, disse.

Segundo a nutricionista, o cálcio é protagonista de uma dieta fortalecedora dos ossos, afinal é o responsável por “construir” ossos e dentes e participar de funções vitais para o organismo como, por exemplo, a coagulação do sangue, transmissão de impulsos nervosos e contração muscular. Conforme Domingues, é importante ressaltar apenas que o cálcio não é encontrado somente no leite e seus derivados, mas também em outros alimentos que podem servir como excelentes opções na hora de repor o mineral no organismo. Mas esse mineral depende de outros fatores para que sua absorção ocorra de maneira satisfatória. São eles: vitamina D, vitamina K2 e proteínas.

“A vitamina D faz com que o cálcio seja absorvido pelo organismo com mais eficiência e é responsável por direcioná-lo aos ossos, diminuído a fragilidade dos membros. A vitamina K2 pertence ao grupo das vitaminas K e tem despertado interesse dos cientistas nos últimos anos justamente por intensificar a ação da vitamina D, quando utilizadas juntas, capaz de ativar a osteocalcina, uma proteína não colagenosa, produzida pelas células dos ossos, fundamental para integrar o cálcio à matriz óssea e assim, impedir a degradação do esqueleto. Para combater essa patologia, também é importante haver uma ingestão adequada de proteínas juntamente com os outros nutrientes fortalecedores da estrutura óssea, pois esse macronutriente ajuda na formação da massa magra”, explicou Gabriela.

De acordo com Domingues, o momento de corrigir a alimentação é qualquer fase da vida, afinal, a deficiência desses nutrientes em qualquer idade pode comprometer a saúde óssea. Contudo, durante a terceira idade, os cuidados devem ser redobrados, pois, a perda natural da massa óssea pode evoluir para osteoporose.

“A osteopenia, como é chamada essa fase inicial de perda de massa óssea, acontece por volta dos 30 anos, e, se não tratada pode evoluir para quadros mais graves. Por isso é preciso investir nesses nutrientes tanto para atenuar a perda natural da massa óssea, quanto para frear a progressão da osteopenia”, explicou

Mas, além de uma dieta rica em cálcio, vitamina D, vitamina K2 e proteínas, é necessário manter uma rotina de exercícios que estimulem a musculatura. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, indivíduos que enfrentam problemas de desgaste ósseo devem fugir do sedentarismo. Para tal, atividades físicas moderadas devem ser incluídas na rotina, respeitando os limites do indivíduo e sempre com acompanhamento profissional. Isso porque, manter-se ativo contribui para um melhor equilíbrio corporal e controle dos movimentos, além de beneficiar diversos aspectos do organismo.

“Portanto, manter o vigor na terceira idade e desfrutar de uma boa saúde óssea requer, antes de tudo, um estilo de vida saudável. Dessa forma, o indivíduo ganha em disposição e qualidade de vida”, finaliza Domingues.